domingo, 25 de dezembro de 2011

'faça um pedido'



era assim que eu tinha certeza do que sentia. repetiu-se durante três anos. toda vez que alguém me dizia, em alguma circunstância, "faça um pedido", a resposta era uma só. e era você. sempre e de imediato. à minha maneira eu tentei. te conheci. te deixei me conhecer. a gente se conhece. mesmo. e ainda assim eu tentei. não sei onde meus 'pedidos' me levariam. não sei qual o trajeto teria que percorrer se um dia o 'soprar as velinhas' funcionasse.

fiz todas as curvas, parei pra pegar fôlego, voltei e fiquei do seu lado. por vezes sangrei. mas, mesmo assim, eu segui nessa luta inglória, onde até a vitória final seria uma derrota retumbante.

nesse ano eu não pedi você de presente. ganhei um tombo que me fez perceber que eu alonguei muito o caminho, pra ver que cheguei num destino que desde o começo seria o mesmo. tentei ao máximo evitar o ponto final. engoli com calma cada dia de dor, pra adiar o dia de digerir o fim. que sempre esteve ali.

não parou de doer. não parei de sentir. mas é hora de vestir o branco, fingir a paz que a gente quer. e esperá-chegar. uma hora ela chega, o sorriso engrandece e eu tomo, de novo, coragem de enfrentar o amor, esse infinito que eu ainda quero me embrenhar.

"sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você, eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende?" Caio Fernando Abreu