domingo, 3 de julho de 2011

drops (ou 'desabafo em guardanapos')

eu não tenho um plano de fuga. eu tenho uma cerveja, R$ 3,49, um tênis gasto e a vontade de escapar. aqui, no meio do bar, eu fecho os olhos. sozinho. eu não quero mais encher ninguém. não quero mais encher a cara. a vontade é que quando eu acorde, tenha um cão sem nome perto de mim pra me dizer que eu já posso respirar. que o coração já vai desacelerar. que as palpitações fora de hora vão passar. que eu vou poder dormir em paz. que eu não vou enlouquecer.

o amor primeiro. a paixão de amigo. aquele de dois meses que me tirou o chão. a mãe. as dúvidas. as dívidas. o futuro. o que é que ainda me mantém em pé, o que é que me faz manter a razão? eu tenho medo. de tudo. de tentar de novo. de suspirar mais fundo. de me apaixonar. de não me apaixonar novamente. eu estou constantemente assustado. e desacredito. e me rendo.

velhas feridas que não saram. novas feridas que abrem e doem. não preciso de um felizes para sempre. quero um feliz nesse exato momento. baixei a guarda. não faz mal. eu só quero acreditar que a gente sobrevive.

6 comentários:

FOXX disse...

sobrevive, vc já sobreviveu a coisa pior não?

Ana Clara Otoni disse...

Você já deu resposta para os próprios questionamentos. É um sobrevivente.

Anônimo disse...

Belo texto.

Leonardo Filizolla disse...

tudo é uma questão de manter: a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquiiiiiiiiiiiloooo...♪ (pato fu)

Marcela Santos disse...

Pena que a gente não pode voar... Mas, ainda podemos seguir caminhando.

Texto bom!

Autor disse...

A gente sempre sobrevive.