domingo, 25 de dezembro de 2011

'faça um pedido'



era assim que eu tinha certeza do que sentia. repetiu-se durante três anos. toda vez que alguém me dizia, em alguma circunstância, "faça um pedido", a resposta era uma só. e era você. sempre e de imediato. à minha maneira eu tentei. te conheci. te deixei me conhecer. a gente se conhece. mesmo. e ainda assim eu tentei. não sei onde meus 'pedidos' me levariam. não sei qual o trajeto teria que percorrer se um dia o 'soprar as velinhas' funcionasse.

fiz todas as curvas, parei pra pegar fôlego, voltei e fiquei do seu lado. por vezes sangrei. mas, mesmo assim, eu segui nessa luta inglória, onde até a vitória final seria uma derrota retumbante.

nesse ano eu não pedi você de presente. ganhei um tombo que me fez perceber que eu alonguei muito o caminho, pra ver que cheguei num destino que desde o começo seria o mesmo. tentei ao máximo evitar o ponto final. engoli com calma cada dia de dor, pra adiar o dia de digerir o fim. que sempre esteve ali.

não parou de doer. não parei de sentir. mas é hora de vestir o branco, fingir a paz que a gente quer. e esperá-chegar. uma hora ela chega, o sorriso engrandece e eu tomo, de novo, coragem de enfrentar o amor, esse infinito que eu ainda quero me embrenhar.

"sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você, eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende?" Caio Fernando Abreu

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

incompleto



'eu sei que eu sou pesada, triste, dramática, neurótica, louca, insatisfeita, mimada, carente. mas você se esqueceu da minha maior qualidade: eu sou só'
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Tati Bernardi



pão de queijo gelado. café amargo. você conta, você fala. empolga. quer que eu ouça sobre sua vida, que eu saiba quem foi o último que você se enroscou, quem foi que ganhou a sua paixão na semana passada. eu crio o sorriso e olho no seu olho balançando a cabeça.

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todo dia acordo só pra não acreditar mais que você é a pessoa mais interessante que eu já conheci em toda a minha vida. a mais especial. e sempre é. não te acho o mais bonito. não te acho o mais cuidadoso. você não pensa na mesma sintonia que eu em nada. então é mais. hoje eu sei que não é físico. não é afinidade. não é só.

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depois de você minha alma chora fácil. e me diz que precisa de você para não chorar mais. para poder sorrir. mas chora. continuar a chorar. eu continuo arriscando em você. porque a alma gosta mesmo de chorar de vez em quando. mas ainda tem vontade de rir.

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nada disso se completa. nada disso é completo. mas tudo junto faz sentido. sou eu. meio que eu. é quase o que eu sinto.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Amém, mãe

"Sabe, filho...eu gosto de flores vivas. Não gosto de flores mortas. Gosto daquelas flores que a gente colhe na hora. Fica com Deus"

terça-feira, 9 de agosto de 2011

tem dias como hoje que nem um sorvete me faria feliz.

ontem foi bem tranquilo. legal mesmo. anteontem também. o dia que veio antes de anteontem também fluiu legal. mas aí tem dias como hoje em que eu não paro de pensar. e penso, e penso, e penso e penso. e de repente eu me pego pensando que a única coisa que eu posso fazer mesmo é pensar.
eu lembrei de você na hora que eu acordei no susto com o despertador, no banho com chuveiro queimado, no ônibus indo para o trabalho, na volta da visita ao hospital - ah, e foi nessa hora que eu chorei de saudade. no meio da rua.
chorei também porque seria mais fácil se você tivesse do meu lado agora. aquele tempo foi bom. eu respirava mais leve. queria de novo. sabe, eu aprendi tanta coisa ali. na prática, eu aprendi o meu amor com você.
tem dias como hoje que eu até paro de pensar e começo a falar, falar, falar... é tanta bobagem e ninguém percebe - e eu nunca preciso dizer de verdade o que eu quero.
tem dias como hoje que nem um sorvete me faria feliz.

domingo, 3 de julho de 2011

drops (ou 'desabafo em guardanapos')

eu não tenho um plano de fuga. eu tenho uma cerveja, R$ 3,49, um tênis gasto e a vontade de escapar. aqui, no meio do bar, eu fecho os olhos. sozinho. eu não quero mais encher ninguém. não quero mais encher a cara. a vontade é que quando eu acorde, tenha um cão sem nome perto de mim pra me dizer que eu já posso respirar. que o coração já vai desacelerar. que as palpitações fora de hora vão passar. que eu vou poder dormir em paz. que eu não vou enlouquecer.

o amor primeiro. a paixão de amigo. aquele de dois meses que me tirou o chão. a mãe. as dúvidas. as dívidas. o futuro. o que é que ainda me mantém em pé, o que é que me faz manter a razão? eu tenho medo. de tudo. de tentar de novo. de suspirar mais fundo. de me apaixonar. de não me apaixonar novamente. eu estou constantemente assustado. e desacredito. e me rendo.

velhas feridas que não saram. novas feridas que abrem e doem. não preciso de um felizes para sempre. quero um feliz nesse exato momento. baixei a guarda. não faz mal. eu só quero acreditar que a gente sobrevive.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

um respiro

só um minuto de coração tranquilo. quanto custa, bróder? pra quem eu pago, irmão? dá cá a mão e fala que vai passar. gruda bem e promete que despertar é renovar e sarar e curar. um respiro sem dor.
me arranja meu paraíso pra cabeça repousar. sente meu peito confuso pedindo trégua. sente minha exaustão de mirabolar. de tentar.
um tempo. a pausa. quero o tranquilo. a anestesia. quero pensar mais não. me entende? today will be better. i swear.

segunda-feira, 28 de março de 2011

carta-receita

"acho que ajudaria você ser menos difícil. menos intolerante. mais paciente, um pouco menos tímido, mais expansivo. menos agressivo, grosso, brigão. ciumento. acho mesmo que ajudaria ser menos ciumento. beber só três doses de vodca, anota aí. menos temperamental, borderline. parar de mentir. de fazer nêgo chorar. de dormir na mesa do bar. isso queima filme.

sem fechar a cara, sem se apaixonar fácil, sem criar histórias mirabolantes na cabeça. já falei do ciúme? porra, tá difícil aguentar suas cenas de ciúme de amigo, de amor, de paixão e ainda ter que conviver com a incrível arte de ter ciúme até de quem você não gosta. ser mais tranquilo, menos ansioso, menos amigão.

pra terminar: menos ironia, sarcasmo, perfume, reclamações, ciúme, depressão, indiretas, diretas, desdém, coração, expectativa, covardia e sacanagem. chega de loucura. sério. para de surtar. mais agilidade, atitude, papo bom, silêncio, destreza, tato, autocontrole. dá liberdade. dá espaço.

você não é a maria do bairro. para de drama. você não é uma princesa disney. para de drama.

sacou, fernando? acho que ajudaria."

quarta-feira, 23 de março de 2011

913

Os números não batem. Esta conta é meio irracional. É daquelas expressões cheias de parênteses, xis, ípslons e elementos ocultos. Talvez bem mais difícil do que as várias que eu nunca conseguia resolver no colégio.

Cheguei a 913. Tá certo? Amanhã sobe mais um. Corto todo o dia o zero de lá, o sinal de cá e nunca diminui.

Mas é assim mesmo. Números, operações, superações e coração tranquilo nunca foram o meu forte. E quando o assunto é amor ninguém me passa a cola certa.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Registro

“Eu te amei muito. Nunca disse, como você também não disse, mas acho que você soube. Pena que as grandes e as cucas confusas não saibam amar. Pena também que a gente se envergonhe de dizer, a gente não devia ter vergonha do que é bonito. Penso sempre que um dia a gente vai se encontrar de novo, e que então tudo vai ser mais claro, que não vai mais haver medo nem coisas falsas. Há uma porção de coisas minhas que você não sabe, e que precisaria saber para compreender todas as vezes que fugi de você e voltei e tornei a fugir. São coisas difíceis de serem contadas, mais difíceis talvez de serem compreendidas — se um dia a gente se encontrar de novo, em amor, eu direi delas, caso contrário não será preciso. Essas coisas não pedem resposta nem ressonância alguma em você: eu só queria que você soubesse do muito amor e ternura que eu tinha — e tenho — pra você. Acho que é bom a gente saber que existe desse jeito em alguém, como você existe em mim.”

Caio Fernando Abreu