domingo, 9 de maio de 2010

True Colors

A prima veio toda orgulhosa mostrar a primeira leitura obrigatória do ano na escola. Foi brincar no computador e me deixou na sala com o livro na mão. Fininho. Era "Sete histórias para contar", da Adriana Falcão. Daqueles que você lê em uma folheada de oito minutos. Em uma das historinhas há uma menina que tinha uma dor azul, chamada desasossego. Essa eu li duas vezes. Azul-desasossego. No meio da aquarela cinza que pinta minha vida, lembrei da minha dor colorida. Amarelo-desespero. Peregrino. Vai e volta. Tinta boa, daquelas que não desbota o tom.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Restos de abril

Poderia começar falando das minhas inseguranças. Enumerar todas. De 1 a 76. Ou iniciar um texto falando de como tudo que eu quero escapa das minhas mãos sem eu perceber. Ou ainda dos medos que eu escondo debaixo do travesseiro. Das fantasias que eu visto todo dia quando acordo. Das minhas tentativas de fuga da realidade que insiste em me perseguir. Da insatisfação com tudo que eu faço. Posso te enumerar, também, uma lista com as palavras que me dão arrepio quando pronunciam perto de mim. Cansei de superar, paixão, dor, perigoso e passa. Desta vez eu não estou falando de coração. Estou falando só de cansaço, de falta de coragem, de encher a cara com wyborowa e pegar carona com desconhecidos para voltar pra casa. De excesso de coragem. Não tem nada nos eixos. Da falta de reconhecimento e do julgamento próprio com o que tudo se tornou. Do peso que fica cada dia maior nas costas. Deus, que fardo é esse? Eu ainda acredito em Deus. Ele que parece não acreditar mais em mim. Nunca mais me visitou. Quero fugir do clichê de dizer que quero fugir e acabar sempre chegando nos piores lugares comuns. É só uma decepção com o que tudo se tornou. Chega de gritar. Só queria um silêncio de verdade.