quarta-feira, 25 de agosto de 2010

e a única verdade

teoricamente o dia termina cedo. teoricamente, também, não era pra ter tanta confusão, tanto cansaço e tanta vontade de passar horas deitado. a tentativa frustrada de tentar acabar com uma exaustão que não é física. não é só física. não é mental. não passa com horas de sono. na verdade, nem com as quatorze horas as quais me tenho proposto.

é o esgotamento que aumenta com a presença. que quase me mata com a ausência. é o cansaço de ter que ter notícias pra seguir. e de sofrer um bocado com cada uma delas.

e a única verdade é que esse é só mais um desabafo. porque não sei conviver com a certeza de que não vai passar. e não sei administrar a razão que me dá a outra certeza de que já passa. não é mais questão de escolha e nem o tal masoquismo. não é só pedir pra agosto acabar e levar junto, porque setembro traz de novo e traz pior.

sou tonto. fico tonto. e nessas horas sou mais clichê que qualquer frase de parachoque de caminhão.

desculpa, vai. é que eu não sei lidar com o que me faz mal e insiste em fazer bem. a verdade é que eu me canso. e que eu queria descansar.

terça-feira, 29 de junho de 2010

once upon a time

Eu fui feliz como nunca havia sido. E eu fiquei feliz e assustado como nunca havia ficado. Era bom. E eu nunca mais fui. E eu nunca mais fiquei.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Momento

"Ah, fumarás demais, beberás em excesso, aborrecerás todos os amigos com tuas histórias desesperadas, noites e noites a fio permanecerás insone, a fantasia desenfreada e o sexo em brasa, dormirás dias adentro, faltarás ao trabalho, escreverás cartas que não serão nunca enviadas, consultarás búzios, números, cartas e astros, pensarás em fugas e suícidios em cada minuto de cada novo dia, chorarás desamparado atravessando madrugadas em tua cama vazia, não conseguirás sorrir nem caminhar alheio pelas ruas sem descobrires em algum jeito alheio o jeito exato dele, em algum cheiro o cheiro preciso dele (...) mas sabes, principalmente, com uma certa misericórdia doce por ti, por todos, que tudo passará um dia, quem sabe tão de repente quanto veio, ou lentamente, não importa. Só não saberás nunca que neste exato momento tens a beleza insuportável da coisa inteiramente viva."

Caio Fernando Abreu

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Em mim

"...a verdade é que ainda hesito em dar um nome àquilo que ficou, depois de tudo. Porque alguma coisa ficou".
Caio Fernando Abreu

domingo, 9 de maio de 2010

True Colors

A prima veio toda orgulhosa mostrar a primeira leitura obrigatória do ano na escola. Foi brincar no computador e me deixou na sala com o livro na mão. Fininho. Era "Sete histórias para contar", da Adriana Falcão. Daqueles que você lê em uma folheada de oito minutos. Em uma das historinhas há uma menina que tinha uma dor azul, chamada desasossego. Essa eu li duas vezes. Azul-desasossego. No meio da aquarela cinza que pinta minha vida, lembrei da minha dor colorida. Amarelo-desespero. Peregrino. Vai e volta. Tinta boa, daquelas que não desbota o tom.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Restos de abril

Poderia começar falando das minhas inseguranças. Enumerar todas. De 1 a 76. Ou iniciar um texto falando de como tudo que eu quero escapa das minhas mãos sem eu perceber. Ou ainda dos medos que eu escondo debaixo do travesseiro. Das fantasias que eu visto todo dia quando acordo. Das minhas tentativas de fuga da realidade que insiste em me perseguir. Da insatisfação com tudo que eu faço. Posso te enumerar, também, uma lista com as palavras que me dão arrepio quando pronunciam perto de mim. Cansei de superar, paixão, dor, perigoso e passa. Desta vez eu não estou falando de coração. Estou falando só de cansaço, de falta de coragem, de encher a cara com wyborowa e pegar carona com desconhecidos para voltar pra casa. De excesso de coragem. Não tem nada nos eixos. Da falta de reconhecimento e do julgamento próprio com o que tudo se tornou. Do peso que fica cada dia maior nas costas. Deus, que fardo é esse? Eu ainda acredito em Deus. Ele que parece não acreditar mais em mim. Nunca mais me visitou. Quero fugir do clichê de dizer que quero fugir e acabar sempre chegando nos piores lugares comuns. É só uma decepção com o que tudo se tornou. Chega de gritar. Só queria um silêncio de verdade.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

that's how i roll

se eu ficasse parado, o mínimo que aconteceria era continuar sofrendo do estômago, dos rins, do fígado e de qualquer órgão do meu corpo que pudesse gritar que algo estava errado. sagitário, ascendente em peixes, lua em algum lugar que esqueci e algo que atravessa uma casa da minha vida de uma forma que acho que nem o zodíaco explica. e dói.
eu entendo que você pense que o seu ciclo fechou, que cumpriu o papel dignamente, que a honestidade foi até a última gota e que eu estava livre. minha intenção era que acabasse ali também. olha, na verdade você não faz ideia do quanto eu realmente gostaria que isso tudo tivesse sido uma paixão. daquelas à moda, com direito a tudo: riso, beijo, ciúme, choro, dor e acabou.
se tivesse existido e terminado e hoje eu só me lembrasse de como era, ia ser uma paixão. mas ela montou acampamento e bate na minha cabeça dizendo que minha vida continua. e pior, que a sua também continua e eu não faço tão parte dela assim.
dá vontade de mandar à merda quem, com boa vontade, vem com aquelas soluções de sempre. deixa eu explicar que não adianta fechar os olhos, eu te vejo do mesmo jeito. tapar os ouvidos não impede que sua voz fique passeando na minha cabeça oca. me desligar do mundo também não ajuda. não é a internet que vai impedir que eu fique conectado sozinho em você.
o dinheiro contado do fim do mês até que ajuda. ficar queimando a cuca pra ver se o investimento dos tostões que restaram vão para uma passagem pro interior ou pra vinte cervejas. distrai.
se eu continuasse parado, a vida ia sucumbir de vez. eu escrevo. eu me empenho. eu te deixo na sua. a vida segue e ninguém vê que aqui, embaixo disso tudo, ainda tem um eu esburacado. eu fico na minha. that's how i roll.