quinta-feira, 2 de abril de 2009

Quase

Hoje alguém me disse que gosta de mim. Que gosta gosta mesmo de mim. O mais estranho é que eu acho que eu também gosto gosto dela. Tinha tudo pra ser perfeito, para funcionar, pra andar pra frente. Mas gostar de alguém, ou começar a pensar em gostar de alguém, me lembra imediatamente você, e eu fico triste na mesma hora. Recebi um abraço tão forte que por um milésimo de segundo eu consegui fechar os olhos e sentir que você não estava mais no meu peito. Foi quase um milésimo, quase uma certeza.

Na verdade tudo tem sido quase nos últimos tempos. Ontem, por exemplo, eu saí para jantar com uns amigos. Foi tão, tão divertido. Um deles contou uma história do chefe dele que me fez rir muito. Ri tanto que no meio de uma gargalhada eu lembrei que eu queria contar essa história pra você, e aí eu fiquei triste.  

Quando tudo isso começou eu achei que quando o tempo passasse, eu te esqueceria. Que quando eu visse que você estava livre, forte, indiferente, eu te esqueceria. Eu achei que quando eu sentisse o fim dentro de mim, passaria. Não passa nunca. Mas quase passa todo dia.

Todo dia às 21h eu quase te ligo, quase consigo pensar em você como um nada. Daí eu prefiro quase ignorar tudo, quase desistir de tudo. E penso em ir dobrar aquela esquina da sua casa. Mas eu desisto porque você também a dobrou quando não quis mais nada. E termino a noite refletindo que o dia foi apenas mais um com restos de quases, com tantos quase, que quase vira alguma coisa. Mas não vira nada nunca.

Você, que era tudo, agora é um quase na minha vida. Um quase que não me deixa ser completo, inteiro em nada, feliz em nada. Eu sou quase tudo isso. Foi ontem à tarde que eu descobri, da maneira mais simples, que a única forma desse quase virar tudo, é aceitá-lo. Aceitar, sem querer disputar e ganhar dele. É assim, eu te amo, talvez quase pra sempre. Ou quase te amo pra sempre. Amo de um jeito que eu encano tanto com esse amor, que uma hora eu quase acabo desencanando.

22 comentários:

FOXX disse...

o problema é que vc não sabe separar esse amor que vai durar pra sempre do desejo de ficar do lado desta pessoa...

bem...

qm sou eu pra dizer algo mesmo?

Ana Clara Otoni disse...

Bonito!Tanto que 'quase' chorei,mas pra quê dizer coisas que não são completas assim? Melhor não dizer nada para tentar não sair desse semiestado de êxtase que quase me assaltou. Pior que não ser completo é pensar é quase verdade e que eu quase acreditei em você. E isso, boa coisa não é.
Você foi sublime em "Não passa nunca. Mas quase passa todo dia." S-U-B-L-I-M-E!

Autor disse...

Acho que isso não é amor.
Afinal, amor é completo.
O quase não é nada.
Afinal, algo que quase aconteceu, nunca aconteceu realmente.
Acorda pra vida.
Pra vida inteira, completa, de verdade.
Pq quase viver, não é vida!
E viver pela metade é não viver.

Thais Goetz disse...

Quase muito bom!

Tanta Coisa! disse...

Difícil querido. E mais ainda dar receita pros outros. Só te desejo então: que a dor não seja insuportável e que este amor fique sim, mas te liberte para a vida, para outros amores. A vida é plural, o amor também. Que este fique no lugar que lhe cabe não em todo o lugar. Bj

Mara Bianchetti disse...

"Você, que era tudo, agora é um quase na minha vida. Um quase que não me deixa ser completo, inteiro em nada, feliz em nada".
Me identifiquei muito com este trecho.
Belo texto!
Mas fico com o "Autor": viva completamente! Quase viver não é vida!

Syn (apses) disse...

Apesar de concordar com o amigo Autor, sinto exatamente a mesma coisa no momento e não sei se realmente quero abandonar esse meu quase amor. Não sei se é por falta de amor próprio ou por excesso de amor ao alheio...

Que nós dois tenhamos mais sorte e sucesso na caminhada.
Abraços!

Analine Araújo de Andrade disse...

Sinto por vc não se desprender desse amor =(
E tudo o que o "Vc" mais precisava.
Será que vc sabe o que é o desapego?!

E quase me esqueci...não tem graça ser quase...queira ser tudo ou nada.

Thais Goetz disse...

ai gente, quanta gente chata!

Gato de Cheshire disse...

É melhor um quase na mão do que algumas possibilidades voando???? Essa dor que é só nossa e a gente conhece tão bem, tão intimamente, aprendemos a administrá-la... E se abrir pro novo é tão assustador... Um instinto de proteção, um certo desanimo de começar tudo novamente... A gente não quer se machucar, não quer ver dar errado outra vez... Nos boicotamos, colocamos o outro na frente, falamos que não queremos envolver mais ng nisso, q estamos confusos, que não daria certo... Como se houvesse algum momento ou circunstancia que garantisse sucesso de alguma coisa... Puro medo... Mas... Medo de que???

Futuro Engenheiro disse...

Meu, achei o texto muito parecido com o que e to vivendo por agora.
Ma eu quase to desecanando, pq viver de quase, é pouco demais pra mim.
Eu quero mais, não quero o quase, quero o completo.

valeu

Tanta Coisa! disse...

Ai, sei que blog é algo estritamente pessoal que a gente atualiza quando tem vontade, mas só para deixar registrado que sinto falta de teus textos. Se quiser bater um papo no msn: rafael-morello@hotmail.com Bj

Transitoriedade Passageira disse...

O sentimento do "quase" estar esquecendo alguém é mais angustiante que sentir o amor de modo completo e determinado. Sabe por que? Por que a gente se alimenta de resíduos...vãos resíduos.

S.A.M disse...

Como disseram aqui, complicado dar receita pros outros, mas só um lado amar e arriscar não é justo concorda?

Espero que as feridas do seu coração sarem!

:)

Marcela Santos' disse...

O seu texto é tocante. Eu quase me identifico com ele. Mas apenas quase.
Espero que vc consiga concluir os 'quases' de sua vida, mesmo que não seja ao lado de quem vc quer...

Abraço.

. disse...

Espero que o quase tenha virado certeza absoluta e que você volte a escrever logo, bucólico, mas quase sempre alegre.

Marcela Santos' disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Lαdy'Bug ( Lu ) disse...

Ana Clara definiu bem: sublime.
O texto, e todo o sentimento; que eu, pessoalmente, acho que vale a pena se for saudável. Vive esse quase amor, mas não se feche para os amores das outras pessoas. Uma delas pode transformar um quase-amor em algo completo.
Mas já deixo de aviso, que se for levar a sério minhas palavras, use como reflexão e não como conselho de quem está de fora da situação.

Lαdy'Bug ( Lu ) disse...

Á propósito, se descobrir porque você continua escrevendo sobre os seus sentimentos, eu queria saber a resposta. Tenho vista boa pra perceber pessoas que valem a pena conhecer melhor.
(Considere isso um Oi, prazer.)

Laidinha da Costa disse...

f*dasse nao acredito!
este post reflecte exactamente o que eu sinto neste momento..é que nem por acaso!

crocrib disse...

Entendo profundamente o que o texto quis dizer. E o que tenho pra comentar é que acho que esse "quase" nunca vai desaparecer, no máximo será esquecido. Não se sinta mal em amar outra pessoa enquanto ainda guarda esse sentimento. Não procure fazer com que novos sentimentos se equiparem aos antigos. Não pense que se trata de um processo vertical (a nova pessoa tentando alcançar àquela que ainda reina nos seus pensamentos)... É apenas algo diferente, sem comparação. É outra estrada, com outras características, mas que pode te levar ao mesmo lugar que você queria antes. Acho que você está certo em assumir o "quase". Deixa ele lá. Faz parte de você. Mas não se limite a ele. Há sempre espaço pra mais um amor...

lole =) disse...

mto bom o texto.queria nao ter me identificado tanto...

como ja disse o john ulhoa "quase um amor..quase um caminho..que me deixou quase sozinho"

e la esperança se materializa(ou nao!) no fim quando..
"Hoje já estou,
Realmente já estou,
Hoje já estou quase bão.."

quase-pato fu