quarta-feira, 18 de março de 2009

Anteontem choveu e doeu mais porque eu lembrei que você adora chuva

E não é só com a chuva. É com a Cássia, com o Ney, com o Nando, com a Calcanhotto, a RoRo e até a Thaeme. Vai passar, não é? Já ouvi. Na verdade isso é só o que eu tenho ouvido nos últimos meses. Até você me disse isso semana passada. É, eu sei que um dia vai passar. Mas ninguém entende que quando passar vai chegar algo que vai me doer ainda muito mais. Eu não vou mais te amar. Será que alguém faz idéia do quanto vai ser triste ver você de longe do outro lado da rua e não sentir mais vontade de sair correndo para o banheiro com dor de barriga, ou então, em reações mais contidas, escutar o coração bater tão forte a ponto de eu ter que sentar em qualquer canto para respirar fundo e, aí sim, seguir caminho. Não, eu não quero que chegue o momento em que eu vou conseguir olhar no seu rosto e todo o resto do mundo não vai mais desaparecer pra mim.
Eu estou cansado. Meu amor está cansado, pálido, abatido, desfocado. Ele está pedindo pra ir embora para voltar daqui a alguns meses renovado, inteiro e brilhando em outro canto. Mas eu quero insistir nesse canto que eu estou agora. Eu puxo a barra da calça dele e insisto para que ele fique, mesmo que a dor que eu sinto continue não cabendo mais em mim. E pela última vez eu choro e imploro e grito para que tudo isso que eu sinto por você não me deixe.
E olha que dói. Dói tanto. Dói daquelas dores que fazem a gente voltar a acreditar em Deus e a rezar para passar rápido. Dói daquele jeito egoísta em que você sabe que está sendo arrogante e mesquinho e ainda assim acha a sua dor a maior do mundo. Dói daquele jeito que a gente escreve, canta, conta pros amigos e desabafa até pros inimigos. É aquela dor que a gente busca a numerologia, a macumba, a ex-namorada e a vizinha que faz simpatia. Tudo com a única e última esperança de que, pelo amor de Deus (sempre ele), alguém faça essa merda passar.
Mas ali, onde só eu sinto e vejo, eu sei que o fim desse amor vai ser mais triste que o meu próprio fim. E eu fico com a dor, no meu canto que já foi seu, sentindo tudo sozinho.