quinta-feira, 12 de novembro de 2009

"Na parede de um botequim de Madrid, um cartaz avisa: proibido cantar. Na parede do aeroporto do Rio de Janeiro, um aviso informa: é proibido brincar com os carrinhos porta-bagagem. Ou seja, ainda existe gente que canta, ainda existe gente que brinca"

Eduardo Galeano

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Quase

Hoje alguém me disse que gosta de mim. Que gosta gosta mesmo de mim. O mais estranho é que eu acho que eu também gosto gosto dela. Tinha tudo pra ser perfeito, para funcionar, pra andar pra frente. Mas gostar de alguém, ou começar a pensar em gostar de alguém, me lembra imediatamente você, e eu fico triste na mesma hora. Recebi um abraço tão forte que por um milésimo de segundo eu consegui fechar os olhos e sentir que você não estava mais no meu peito. Foi quase um milésimo, quase uma certeza.

Na verdade tudo tem sido quase nos últimos tempos. Ontem, por exemplo, eu saí para jantar com uns amigos. Foi tão, tão divertido. Um deles contou uma história do chefe dele que me fez rir muito. Ri tanto que no meio de uma gargalhada eu lembrei que eu queria contar essa história pra você, e aí eu fiquei triste.  

Quando tudo isso começou eu achei que quando o tempo passasse, eu te esqueceria. Que quando eu visse que você estava livre, forte, indiferente, eu te esqueceria. Eu achei que quando eu sentisse o fim dentro de mim, passaria. Não passa nunca. Mas quase passa todo dia.

Todo dia às 21h eu quase te ligo, quase consigo pensar em você como um nada. Daí eu prefiro quase ignorar tudo, quase desistir de tudo. E penso em ir dobrar aquela esquina da sua casa. Mas eu desisto porque você também a dobrou quando não quis mais nada. E termino a noite refletindo que o dia foi apenas mais um com restos de quases, com tantos quase, que quase vira alguma coisa. Mas não vira nada nunca.

Você, que era tudo, agora é um quase na minha vida. Um quase que não me deixa ser completo, inteiro em nada, feliz em nada. Eu sou quase tudo isso. Foi ontem à tarde que eu descobri, da maneira mais simples, que a única forma desse quase virar tudo, é aceitá-lo. Aceitar, sem querer disputar e ganhar dele. É assim, eu te amo, talvez quase pra sempre. Ou quase te amo pra sempre. Amo de um jeito que eu encano tanto com esse amor, que uma hora eu quase acabo desencanando.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Anteontem choveu e doeu mais porque eu lembrei que você adora chuva

E não é só com a chuva. É com a Cássia, com o Ney, com o Nando, com a Calcanhotto, a RoRo e até a Thaeme. Vai passar, não é? Já ouvi. Na verdade isso é só o que eu tenho ouvido nos últimos meses. Até você me disse isso semana passada. É, eu sei que um dia vai passar. Mas ninguém entende que quando passar vai chegar algo que vai me doer ainda muito mais. Eu não vou mais te amar. Será que alguém faz idéia do quanto vai ser triste ver você de longe do outro lado da rua e não sentir mais vontade de sair correndo para o banheiro com dor de barriga, ou então, em reações mais contidas, escutar o coração bater tão forte a ponto de eu ter que sentar em qualquer canto para respirar fundo e, aí sim, seguir caminho. Não, eu não quero que chegue o momento em que eu vou conseguir olhar no seu rosto e todo o resto do mundo não vai mais desaparecer pra mim.
Eu estou cansado. Meu amor está cansado, pálido, abatido, desfocado. Ele está pedindo pra ir embora para voltar daqui a alguns meses renovado, inteiro e brilhando em outro canto. Mas eu quero insistir nesse canto que eu estou agora. Eu puxo a barra da calça dele e insisto para que ele fique, mesmo que a dor que eu sinto continue não cabendo mais em mim. E pela última vez eu choro e imploro e grito para que tudo isso que eu sinto por você não me deixe.
E olha que dói. Dói tanto. Dói daquelas dores que fazem a gente voltar a acreditar em Deus e a rezar para passar rápido. Dói daquele jeito egoísta em que você sabe que está sendo arrogante e mesquinho e ainda assim acha a sua dor a maior do mundo. Dói daquele jeito que a gente escreve, canta, conta pros amigos e desabafa até pros inimigos. É aquela dor que a gente busca a numerologia, a macumba, a ex-namorada e a vizinha que faz simpatia. Tudo com a única e última esperança de que, pelo amor de Deus (sempre ele), alguém faça essa merda passar.
Mas ali, onde só eu sinto e vejo, eu sei que o fim desse amor vai ser mais triste que o meu próprio fim. E eu fico com a dor, no meu canto que já foi seu, sentindo tudo sozinho.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Até que o Carnaval termine

Veja bem, já é quase quarta-feira de cinzas. Quer forma melhor de terminar um carnaval opaco do que uma quarta-feira cinzenta? Quando me vi no sábado de manhã, estava dentro de um carro cheio, com apenas um conhecido e outras três pessoas que nunca vi na vida, que juravam que eu ia me divertir muito. Uma caravana carnavalesca. Louvável a intenção de todos eles. Queriam que eu recuperasse aquela válvula propulsora que me trouxe até aqui. Com música, cerveja e beijo na boca. Típico. 
Horas depois, ou em menos de quinze minutos, não reparei, eu estava em um local com ruas de pedras. Eles chamam de "cidades históricas", não é isso? Históricas e memoráveis ali eram apenas as sobras da minha existência. Antiga ali era aquela lembrança amarelada e rasgada que eu carregava da vida que existia lá fora, logo depois daquela janela com moldura azul onde eu fiquei debruçado por boa parte dos meus dias. 
Ali, depois da janela todos se mostravam extremamente felizes. Muita música, muitas risadas. Mas pra mim, parecia tudo mudo. O mundo abaixou o meu volume para que eu pudesse ouvir o meu grito interno. E de repente meu coração ficou rouco de tanto berrar. E aí eu pude escutar de novo as pelo menos vinte e três vezes em que alguém chegou até mim pedindo pra eu me balançar, agitar, cair na folia. "Deixa, ele é assim mesmo. Daqui a pouco ele melhora". Isso eu perdi a conta de quantas vezes ouvi pelas costas.
A sensação de beijar alguém pensando na verdade no que estaria escrito na terceira linha da página 28 de "Admirável mundo novo", de Aldous Huxley, já estava começando a ficar divertida. Se o beijo tivesse durado mais alguns minutos, eu teria me lembrado de pelo menos mais dois trechos daquele parágrafo e ainda teria passado o meu telefone de verdade. Por falar em telefone, quantas vezes neste Carnaval eu digitei o seu número no celular, já que realmente achei que resolveria algo apagar da agenda, pra te dizer algo que eu não fazia idéia do que seria. Por sorte, bebi pouco. Foram incontáveis tapinhas nas costas e sorrisos de lado que eu sabia que queriam dizer "parabéns, sabia que você podia virar essa página". Essas pessoas não entendem que eu sei que eu posso sim, fazer e querer muitas coisas sem você. Eu sei muito bem que se eu tomar um banho quente, eu posso conseguir querer uma única coisa que seja, só uma, sem você. 
Quando eu já estava a ponto de ser confundido com aquelas "namoradeiras" das janelas, me avisaram que estava na hora de ir embora. Mas eu queria ficar ali. Praticamente empalhado, embalsamado. Ver o mundo passar na minha frente, olhar e continuar com a mesma feição. Alheio a tudo, esperando o próximo Carnaval. E me contagiar com aquela necessidade intensa de ser feliz e mostrar pro mundo que se é feliz. Até que o Carnaval termine. 

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Entre quatro paredes

Ontem à noite eu fiquei por algumas horas rolando na cama tentando dormir. Culpava o meu quarto pela insônia. É que eu me dei conta de que eu odeio meu quarto. Eu odeio as paredes do meu quarto. Na verdade eu percebi que eu odeio todas as paredes do mundo. E se não fosse aquele conforto extremamente viciante que a minha cama me proporcionava, eu teria conseguido reunir forças pra levantar e esmurrar cada uma das paredes até sangrar os dedos. 
Mas,  de repente eu comecei a agradecê-las. Eu vi que eu sou um entediado, e que tudo na minha vida é entediante. O quarto, este computador, as próprias paredes, os móveis, a sala aqui do lado, o apartamento, meu carro, as ruas, os lugares, as pessoas, Belo Horizonte. E as paredes começaram a ficar mais próximas de mim, me entenderam. 
Na verdade eu tinha quase tudo pra achar a minha vida a mais legal de todas. Mas não. A minha vida é banal. Chata. Achatada. Ordinária. E eu sou ainda mais chato, ordinário e banal, ao tentar fugir de tudo isso através da inutilidade daqueles vícios comuns. Me afundo em horas de internet, exercícios de punhetagem, engordadas e emagrecidas, rendições ao consumismo enlouquecedor e orgasmático, entrego-me a pelo menos seis dos sete pecados capitais e completo a receita com poucas horas semanais de sono. 
Esqueço que não bebo, e acabo bebendo e bebendo e me arrependendo, e fazendo besteiras que contradizem a minha busca do amor dos contos de fadas. E tonto, e sujo e disposto a esquecer mais um dia em que tive nojo de mim mesmo, nada mais me resta a não ser voltar para estas quatro paredes que sugam o meu tédio e me propõem como única saída assistir pela 25ª vez aquele episódio de Friends em que a Rachel e o Ross se beijam no Central Perk e, logo em seguida, aquele em que eles brigam e vão para a janela chorar ao som de "With or without you". Choro um pouco com eles e depois olho para o teto buscando os remédios para a minha doença, pra cada uma das minhas inutilidades que me parecem cada vez mais úteis e que enganam por alguns instantes a minha vida sem graça. 
O mesmo tédio que tomou conta da minha vida conseguiu matar uma a uma, cada uma das coisas mais valiosas pra mim. Não quero mais tentar escrever, cansei de contar minha coleção de dvds e ver que pra sempre vão faltar quatro deles, não quero mais recortar pedaços de papéis dobrados para ver o que vai dar quando eu abrir. Sair com amigos não é nada mais que uma tentativa de tentar sair do tédio. Me perco nas festas, bares e boates para onde me carregam e enquanto a música toca alto, eu só consigo pensar que nunca vou ter o talento da Tina Fey - mesmo se passar a usar óculos - e que ainda que eu usasse uma bengala igual à do Dr. House eu não conseguiria ser espirituoso como ele.. 
Tudo ficou fraco. E todas as relações materiais e também as pessoais não conseguem mais se manter de pé. E por isso eu desisti de lutar contra isso que eu batizei de tédio, mesmo que não o seja. Agora ele vai ser uma característica minha, não um defeito que me consome. E tratando ele como parte de mim, eu posso tentar viver e fazer parte do mundo. De novo.  Dentro ou fora das paredes...

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Decidindo o fim e seguindo

Era só aquela vontade de ter fé que você ia recolher os meus pedaços, e que o meu pedaço inteiro ia completar o seu. E tudo não passava de uma vontade de querer ser entendido entre acordes, entre sons, entrelinhas. E me enrolava, claro, porque a minha real intenção estava em uma só linha, só naquela música e unicamente naquele som. Cantavam pra mim que o tempo lava a alma e cura a dor. Erraram a letra, acertaram na melodia. O tempo não cura. Coitado, ele só esconde tudo que você não quer mais sentir num canto isolado do seu ser. Mas não tira de lá. Ele só pede para você não procurar, não vasculhar. Mas como tentar poetizar sem sentir aquela dor que me fazia sentir ainda mais amor. 
Estranho, parece que faz tempo que eu não escrevo sobre mim. Eu me enfrentei, vesti minha carapuça mais velha e falei pra vida que eu queria seguir. Tudo aconteceu como eu plantei, como eu pintei, com finos traços de um pincel que eu nem sabia que ainda tinha tinta. Pintei Monet, Picaso, Cézzanne, Da Vinci e até Frida Khalo tentando achar o caminho incerto mais correto. Mas foi naquele dia 31, quando 2009 chegava, naquela esquina, a mesma que há algumas semanas escoava as lágrimas de uma dor sem tamanho, que eu escolhi viver só com as lembranças. Sigo agora o resto de um traçado que ainda não tem fim. Para enfim, ter a certeza que cedo ou tarde eu vou chegar. E agora eu vivo em paz com o tempo, sem brigar e sem pensar em tudo que há de vir depois. 

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Meme 2009

Vinha adiando há oito dias o primeiro post do "Fale com Ele" em 2009. Mas dois incovenientes amigos blogueiros (Autor e Rafael Morello) me incluíram em uma daquelas brincadeirinhas MEME, que rolam entre os blogs por aí. Ignoraria e seguiria minha vida normalmente, mas... como 2009 é vida nova e eu estou super simpático este ano (huahuahuauha), e, claro, como foram DOIS amigos com a mesma brincadeirinha, resolvi arriscar. Espero que isso não esteja abrindo precedentes para correntes futuras.
Enfim, se não pode contra eles, junte-se a eles. Como é que funciona isso? Vamos lá.
Seguem as regras:
1 - Linkar a pessoa que te indicou. (Ok, já estão linkadas)
2 - Escrever as regras do meme em seu blog. (Ok, estão aqui)
3 - Contar 6 coisas aleatórias sobre você. (Tá...)
4 - Indique mais 6 pessoas e coloque os links no final do post. (Jura que eu tenho que passar isso pra frente?)
5 - Deixe a pessoa saber que você o indicou, deixando um comentário para ela. (Idem acima)
6 - Deixe os indicados saberem quando você publicar seu post. (Idem³)
Próxima etapa. As coisas aleatórias.
1 - Sou extremamente temperamental. Daqueles que mudam de humor de acordo com a posição do sol no céu. Daí, a partir disso, já me chamam de insensível, sensível demais, grosseiro e uma candura de rapaz. 
2 - Ainda não aprendi a perdoar. E isso já basta. 
3 - Tenho um dos gostos musicais mais esquisitos que eu conheço. Não, nada de Calypso, Aviões do Forró ou Créu... o buraco é mais embaixo. 
4 - Sou jornalista por profissão. Vocação? Acho que estaria sendo trapezista num circo. Mas já que dizem que dá pra ganhar o dinheiro suficiente pra viver miseravelmente apenas escrevendo, a gente tenta.  
5 - Minha vida mudou muito do segundo semestre do ano passado pra cá. E, novamente, isso já basta. 
6 - Escolhi em 2006 com quem vou me casar. E concretizar isso é minha meta de vida.
Faltou falar que eu sou dependente demais das pessoas, que adoro e preciso que decidam as coisas por mim, que eu queria ter sido um senhor americano na década de 1960, que eu sonhava ter um programa de auditório...
Enfim, já deu. Senti um zap aqui agora, incorporei um espírito contraventor e não vou indicar ninguém para ter o desprazer de fazer essa brincadeira. Pelo contrário, apenas praguejo que os que me enviaram sofram com unhas encravadas por toda a eternidade. Ou até se arrependerem e não passarem coisas desse tipo pra mais ninguém. Quebrar um Meme dá sete anos de azar? Ou a Samara vem puxar meu pé à noite? 
Feliz 2009. # (E no próximo post espero estar totalmente recuperado daquilo que me fez escrever essas coisas fúnebres que dominaram o blog nos últimos meses. Falta pouco, eu sinto. ) #