domingo, 21 de dezembro de 2008

Transição

E eu que não dava a mínima para as mudanças de estação, me despeço hoje de você, primavera, com um último abraço. Ah donzela! Vais deixar saudade e os contornos de uma tristeza perseverante. Sei que ainda arruma suas malas. No entanto, já comecei a preparar a tua despedida na noite em que chegou. Ensaiei as palavras e agora, na hora da partida, verbalizo tudo aquilo que rascunhei na minha própria mão esquerda.
Olha lá, o verão já vem. Abre de novo tua mala cheia de flores. É que preparei uma lembrança, nada demais. Leva contigo meu sorriso, mas deixa comigo a capacidade de sentir primavera todo dia. Deixa a razão, deixa a paixão e me deixa viver cheio de razão e paixão. Se couber, leva a culpa de ser feliz.
Obrigado por ter vindo; sei que se tudo der certo você volta na próxima temporada. É que eu não sei se vou ter tempo de te receber da próxima vez. Sabe, vou me ocupar em ainda te esquecer. Mas acene, não deixe de acenar mais uma vez. Vai ser sempre bom lembrar de como você, primavera, me fez um dia sentir todas as estações juntas dentro de mim.  Vá pela e leve a sombra.

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