quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Os buracos do meu queijo

Como é mesmo aquela história do queijo? Quanto mais queijo, mais buracos. Quanto mais buracos, menos queijo. Então, quanto mais queijo, menos queijo. É esse o paralelo que queria fazer: o da minha falta de queijo. Ou do excesso de buracos vazios. Culpo os tais alísios de fim do ano. Os mesmos que trazem o clima de Natal que até o ano passado eu celebrava. Mas é que os tais alísios trazem à tona também as fraquezas, os medos e as angústias responsáveis pelos nós da garganta, mais atados que os de marinheiro. Cada um desses conflitos internos tem um vazio próprio que cresce de forma assustadora quando a gente se remói, o que acaba deixando as ruas lotadas de buracos-negros ambulantes. Um bando de nadas. 
O tempo que fiquei afastado do Fale com Ele serviu para me fechar na caverna de Platão. Sem hipocrisia, joguei na minha própria cara todos os meus maiores podres. Tudo, é claro, impulsionado pelo fim de uma paixão desesperada. Um daqueles pontapés iniciais que a gente precisa dar, ou levar na bunda, para repensar atitudes ou a falta delas. Claro, sem a viagem de achar que eu parei minha vida pra isso. Tudo aconteceu ao mesmo tempo em que a faculdade terminava e, junto com o trabalho, consumia meus últimos gritos de força. 
Pelas sombras deu pra enxergar e entender tanta coisa, tanta gente. Pessoas autodestrutivas e outras que simplesmente querem ser felizes, mesmo que tenham que passar por cima de si próprias para isso. É a tal construção do ideal de felicidade. Se acha que só vai ser feliz assim, eu fico da minha caverna olhando. Quando que alguém pode tentar condenar alguma busca pela tal felicidade? 
Quando dá tempo, eu dou risada de mim mesmo. Enjôo de mim. Me bato e tento entender como algo pôde mexer tanto. Mas eu só queria voltar a escrever aqui quando tudo, tudo tivesse passado. Não passou tudo. Acho que nunca meu ascendente em Peixes esteve tão aflorado. É sentimento descendo com suor e lágrima. Para quem acreditar no tal do inferno astral, estou no ápice, no cume. À beira dos 21, eu sigo os zilhões de conselhos que me dizem para aprender com tropeções. Mas só encontro uns solavancos pelo caminho que abrem mais fendas no queijo, aumentam o vazio. Ainda assim, por enquanto, suspendam as flores brancas do velório.

8 comentários:

Rafael Morello disse...

Oi, tava sentindo falta sua aqui. Primeiro porquê você escreve muito bem e eu não quero dizer só com estilo, é uma escrita pungente, cortante, viva. E depois porquê acho que estamos em momentos bem parecidos quando a vida se bate contra nós e tudo começa a desmoronar e a gente fica aqui com a vontade e esperança de que sobre algo de pé e firme... talvez algo melhor do que fomos até agora. Bj

Thiago disse...

É meu amigo, infelizmente a vida não nos oferece somente lindas melodias e histórias adocicadas de amor. Temos que aprender a lidar com o amargo fel, produzido pela falta de escrúpulos daqueles que nos cercam. O que nos resta é saber que não somos responsáveis pelas escolhas desses indivíduos. Nos doamos e lutamos pela felicidade comum, sem passar por cima dos nossos valores. Com diz o ditado: "coração dos outros é terra que não se pisa". A solução é cuidar de si, antes de se preocupar com gente que prega o falso amor.

confissoesaesmo disse...

Ser grande nos cobra um preço tão alto, né?
Era tão mais fácil quando a gente apenas idealizava um relacionamento. Dae no jogamos em um (ou um quase relacionamento) e vemos que nem tudo é belo e que junto vem uma porção de coisas doloridas.
Mas, a vida segue. Sempre segue.
'Cest la vie!
Abraço

Anônimo disse...

como diria a adriana, aquela da rapaziada, 'tudo na vida passa'... ah, exclui todo o resto da música. são tolices.

td tem um lado positivo, caro amigo. o queijo qnto maior tem mais buraco. por isso, menos queijo para se comer, mas o seu valor de mercado se torna bem maior. o melhor é vender.

ah, não se bata. pode se machucar.

e lembre-se: queijo é uma das melhores coisas de se ter na vida. por mais q feda ninguém acredita q ele tá vencido. se bobear, dizem q está em sua melhor fase. ele muda as coisas. torna tudo mais agradável. veja o que ele faz do bolor. uma coisa q é indesejada se torna iguaria.

Thais Goetz disse...

Pq no maldito natal as malditas pessoas ficam malditamente vulneráveis?

Não se esqueça do belo e inesquecível Banana'x'mas!

E não se esqueça que além de peixe (peixe?) seu signo é anta e me pertence!

Eder Gued's disse...

Temos que sentir a dor, ser apedrejado para nos tornar grande... é nesses momentos que descobrimos como somos fortes...

confissoesaesmo disse...

Amigo, com ou sem queijo, quero atualização!
HUMPF!

Anônimo disse...

você escreve tão, mas tãão lindo *_*