domingo, 1 de junho de 2008

Um personagem

Depois de ela muito insistir, eu disse sim. Afinal, era uma grande oportunidade de reencontro, e pelo que tinha me falado, o pessoal que estaria lá é muito legal. Não custaria nada e eu, definitivamente, não ficaria em casa todo o resto daquele sábado.
Pouco antes da hora de ir, comecei a sentir uns choques dentro de mim. Assutador. Os olhos começaram a doer só de virar a cabeça e muitos espirros. Muitos espirros. Estes são os sintomas da minha gripe. Mas ainda era um estágio muito inicial, nada que atrapalhasse o divertimento da noite.
Bisbilhotei um pouco o perfil das pessoas que estariam lá. Nada muito extravagante. Camisa branca, calça jeans surrada e All Star. Sem uma mãe em casa fica difícil prever que à noite faz muito frio.
Empolgado, fui em direção ao local marcado com a amiga para, de lá, irmos ao regabofe. O horário combinado? 17h. O horário em que a amiga chegou? 18h30. Nada que tirasse a minha paciência. Ela me trouxe um bombom para se desculpar pela demora. Eu cedi.
No local da festinha, setas indicando o local onde tudo iria acontecer. Em frente à última marcação, três garotas escrevendo cartazes com frases em francês. Sinal do que viria no resto da noite. Enquanto conversávamos num clima de harmonia sensacional em que eu tentava ser o mais simpático possível, um dos rapazes presente me questiona:
- Cara, você é assim mesmo? Ou você é um personagem, sei lá... você está fingindo?
Eu juro que já estava me divertindo e gostando das pessoas dali, me sentia à vontade e tudo mais. Justo quando eu estava sendo eu, não acreditam. As frases seguintes foram:
- Nossa, é mesmo! Você parece tímido, mas não é!
- É sério? Você está fingindo mesmo?
Foi só começo da noite em o mesmo garoto perguntou 13 vezes se eu sou vocalista de alguma banda; em que eu fiquei sabendo que o bairro que eu moro é "heavy metal"; que eu aprendi uma brincadeira chatíssima sobre bichos; em que a minha gripe aliada à falta de agasalho se transformou num princípio de pneumonia; e em que uma menina que eu nunca vi na vida chegava por trás de mim toda hora, cutuva meu ombro e saía correndo. E ela devia ter pelo menos 21 anos.
No fim das contas? Adorei. Não vejo a hora do próximo encontro, em que eu estarei bem agasalhado.

5 comentários:

Karina disse...

No próximo encontro faça a caridade de sair de casa com uma roupa decente. Chegar lá feito uma piriguete além de intrigar as pessoas sobre sua verdadeira personalidade, contribuiu para as boas-vindas da gripe-pneumonia-necrose psicológica que vc pegou...

Tá achando que botar mini-saia, jogar cigarro falso com piteira pro lado e fingir que fala francês te transforma num Amelito? O buraco é mais embaixo, meu bem...

Thais Goetz disse...

bem mais em baixo

pra se entrosar não basta ser Titanistico...

Thais Goetz disse...

bem mais em baixo

pra se entrosar não basta ser Titanistico...

Thiago disse...

Surpreendente...

Nem sabia que você escrevia essas coisas.

Mas, devo confessar, adorei a parte da piriguete...

CellaSing disse...

O que? Você está mentindo? Quem é você? Piriguete.... isso compromete! E rima!