terça-feira, 27 de maio de 2008

Sem assinatura

Foi no sábado. O telefone tocou pra mim aqui em casa. Mas ninguém me liga em casa. Ninguém me liga em nenhum lugar. E, seguindo as regras estabelecidas e normatizadas por mim, ninguém deveria me ligar em pleno sábado. De manhã. Não se liga pra ninguém num sábado de manhã.
Claro, não seria uma ligação importante. Afinal, era uma ligação para mim. Desta vez eu nem fui muito ansioso. Já imaginava o que viria. Depois de misteriosos cumprimentos e educadas saudações de ambas partes, a figura do outro lado da linha se revelou: era o Felipe. Felipe, mais um atendente de telemarketing ativo, que com um sotaque baiano, tentava me empurrar uma assinatura da revista Veja.
- Sabe quanto o senhor estaria pagando caso optasse pela assinatura de dois anos?
- Não, não sei. Eu não gosto da Veja.
- Mas o senhor não é jornalista?
- Oi?
- Heheheh...
- Como você sabe o que eu sou?
- Qual revista o senhor gosta? Estamos com várias ofertas especiais para um cliente especial como o senhor. Tem uma muito boa aqui... peraí (barulho de papel passando, consultando alguma lista)...
- Ahm...tá. Turma da Mônica.
- Turma da Mônica...(barulho de papel passando, consultando alguma lista). Senhor Fernando, Turma da Mônica não é da Editora Abril. Alguma outra revista de seu interesse?
- Fora Turma da Mônica?
- É, fora a Turma da Mônica, senhor.
- Deixa eu pensar... aquela revista...Rolling Stones... é de vocês?
- Só um minuto... (barulho de papel passando, consultando alguma lista). Não senhor, essa revista também não consta no nosso... no nosso...(respira fundo) lista.
- Oi?
- Não consta no nosso cardápio.
- Cardápio?
- Perdão senhor, não consta no nosso ... (pronunciou alguma palavra que eu não consegui decifrar)
- Ah, então não quero nada não, brigado.
- O senhor tem filha?
- (Silêncio confabulante)... Tenho sim. Três.
- Elas lêem Capricho?
- Não, só a Bíblia.
- ...
- ...
- ...
- ...(silêncio constrangedor) Mais alguma coisa?
- No acumulado, dois anos de VEJA dariam mais de 60% de desconto...
- Eu não sou jornalista. Sou astrônomo.
- Como?
- Astrônomo.
- (Barulho de papel passando, consultando alguma lista). O senhor conhece a revista Mundo Estranho?
- Oi? Boa sorte aí.
- Obrigado, senhor.
- Por nada. Bom dia.

E assim, o telefone no sábado não tocou mais pra mim. O máximo de interrupção que houve naquele dia foram algumas mensagens no celular de uns locais esquisitos chamando para uma calourada, uma cervejada, uma pagodada... e algum outro "ada" que eu, de verdade, não me lembro agora. Devidamente ignoradas, eu pude voltar pra minha fatídica vida agridoce em mais um sábado amargo.

6 comentários:

G. disse...

Hahauaha Já me empurraram a assinatura de um jornal...são uns golpistas!! Mto bom vc confundindo o cara ahauha
Abração

Lucas Alvares disse...

Não há nada que desagrade mais quem estuda comunicação humana do que operadores de telemarketing...

Thais Goetz disse...

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Que orgulho que eu tenho de vc!

Eu tb só leio a bíblia...

(...)

silêncio


que pessoas chatas comentam no seu blog

nossa
comentários sérios...
eles não entendem o espríto da coisa
o espírito

Verdade ou Consequência? disse...

Thais não reprima as pessoas =P

Fernando vc é um talento e babo seu ovo mesmoooooo

huahsuahsuhaushuahsuahushuas

carai sempre esqueço de ler seu blog =/

Thiago disse...

Me lembre de nunca tentar vender nada pra vc num sábado de manhã! Agora to aqui pensando, já te liguei sábado de manhã, no noivado da Márcia Lins, lembra?

Thais Goetz disse...

Seu público alvo é muuuito chato!
Deveria existir mais de mim...