sexta-feira, 7 de março de 2008

Em cima do trio

Sabe aquela sensação de que você está no meio de uma manifestação com umas 300 pessoas e de repente você é transportado para cima de um trio elétrico, assim, misteriosamente? Não? Eu sei.

É, a vida tem dessas coisas. Hoje fui parar lá no centro da cidade para cobrir uma manifestação/passeata/marcha pelo Dia Internacional da Mulher, que é amanhã. Não seria nada ruim se eu não tivesse que acompanhar as mulheres andando debaixo de um sol de 32°C da Praça da Estação até a Praça da Liberdade.

Mas, eu não imaginava que seria uma coisa tão grandiosa. Na passeata das mulheres tinha dezenas de representantes do movimento punk, GLBT, movimento das donas-de-casa, das strippers, das ascensoristas e até dos ex-BBBs. Apesar de eu ter me sujado de cola, ovo e algo que se assemelha a rapadura, tudo foi muito legal. A caminhada tava indo muito bem, as entrevistas acontecendo, as fotos sendo tiradas, tudo na mais perfeita paz. Até o calor diminuiu pra ajudar tudo.

Porém (sempre existe um porém), não sei em que momento aconteceu, mas de repente eu estava junto com os líderes da manifestação lá em cima do caminhão de som, sem mais nem menos, incentivando todo mundo a gritar, tirando fotos de cima e me desequilibrando diversas, DIVERSAS vezes. É estranho, acho que foi algo parecido com o que acontece com o protagonista de Efeito Borboleta: sumiu da minha mente o trecho em que algo ocorreu e quando eu acordei, já estava lá em cima.
Da descida eu me recordo, e como recordo. Um dos maiores mistérios é que a escada que dá acesso é tão apertada, estreita, bamba, que, com certeza, eu me lembraria se eu a tivesse subido também. Na verdade, depois de hoje, não falo de mais nada com tanta certeza. Isso é tudo muito estranho.

Devem ser os três anos sem férias.



"A nossa luta é todo dia, mulher não é mercadoria" Tá?

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